quarta-feira, 11 de abril de 2018

Projecionista Everaldo Neres


Cinema Mágico - Foto: Énio Sésar - Projecionista Everaldo Neres 

“Minha história como funcionário da FAAP começou em 1994 no Departamento de Cinema e me tornei projecionista no auditório anos depois. 

Esta sala foi o lugar que despertou minha paixão pelo cinema e que hoje me colocou dentro dos sets de filmagem como eletricista. 

Participar da exibição dos filmes é algo diferente, mágico. 

Era possível sentir uma energia muito boa neste pequeno espaço ao fundo da sala, com os rolos de filme que se usavam até o fim dos anos 2000. 

Fiz exibições memoráveis, como o lançamento do filme Tetro, que contou com a presença do próprio diretor, Francis Ford Coppola, aqui na FAAP. 

Mas a experiência que mais me marcou foi a pré-estreia de Cidade de Deus. A responsabilidade era muito grande, com um público de mais de 500 pessoas. Me dediquei bastante. 

Ao final, ouvi o Fernando Meirelles comentar que a projeção havia sido muito bem realizada, e isso me deixou muito contente. 

Até hoje, sempre que posso, faço questão de ser o projecionista das pré-estreias no auditório.”

Texto e imagem reproduzidos do site: revista.faap.br

Cine Humberto Mauro completa 40 anos

 O mais antigo funcionário da sala, Mercídio Scarpelli, conhecido por todos como Cid, já foi ameaçado de morte por cinéfilos que se sentiram "roubados"

 Sala recebeu mostras completas de Charles Chaplin, Alfred Hitchcock e Howard Hawks

Sala foi reformada em 2013, recebendo equipamentos de projeção e som de última geração

Publicado originalmente no site Hoje em Dia, em 09/04/2018

Cine Humberto Mauro completa 40 anos
Por Paulo Henrique Silva

Projecionista do Cine Humberto Mauro há mais de 30 anos, Mercídio Scarpelli já sentiu na pele até aonde pode ir o amor ao cinema. “Nosso projetor era aquele de rolinhos, que tinham que ser trocados a cada dez minutos. Quando estava exibindo ‘Ben-Hur’, houve uma pequena diferença de cenas nesta passagem e um espectador foi à minha fala me dizer que eu estava roubando filme!”, lembra ele, divertido.

Apesar do medo que ficou, precisando ser acompanhado até o ponto de ônibus por um policial que estava na plateia, na hora de ir para casa, Scarpelli gosta de contar essa história para diferenciar o tipo de público da sala do Palácio das Artes, que comemorará 40 anos de atividades em outubro.
Criada após um grupo de cinéfilos de Belo Horizonte se reunir para ver filmes no Grande Teatro, o cinema não perdeu o papel: dar acesso a obras importantes de todo mundo.

Mônica Cerqueira foi responsável por dar a cara que o cinema tem hoje, apresentando uma programação regular e diversificada. Antes de virar a coordenadora, ela era uma das secretárias da presidência que sonhava um dia em trabalhar no cinema, uma de suas paixões.

A oportunidade chegou, mas não sem polêmica. “O pessoal da área pediu a minha destituição nos jornais e na Coordenação de Cultura do Estado. Afinal, quem era aquela menina? Não era do cinema”, recorda Mônica, que acabou ficando dez anos à frente do espaço, criando mais tarde outras salas cult, como o Savassi Cineclube e o Usina.

Criou mais controvérsia ao exibir um filme dos Beatles, até então visto como entretenimento puro. “Queria que a sala fosse conhecida, queria abrir a roda. Ele ficou aquecido e nunca deixei isso esfria", lembra Mônica, que, para não perder público, cheogu a substituir o projecionista que havia quebrado a perna. "Não iria fechar a sala após chegar a esse ponto. Então eu mesmo fui ser a operadora”.

Não é nenhuma “maldição”, mas, uma vez que se passa pelos bastidores do Cine Humberto Mauro, o vínculo com o espaço parece se tornar vitalício, com as pessoas sempre retornando a ele, de uma forma ou de outra.

Ana Siqueira foi coordenadora da sala em 2008 e saiu para ter a sua filha, Rosa. Voltou cinco anos depois, para ficar à frente do Festival Internacional de Curtas-Metragens de Belo Horizonte, criado em 1994 por José Zuba Jr., outro nome fundamental na história do Humberto Mauro.

“É muito gratificante trabalhar num cinema que tem esse perfil. Além da possibilidade formativa, tendo na plateia gente que mais tarde estaria dirigindo seus filmes, havia o trabalho cotidiano com a história do cinema. Não passava um dia sequer que eu não entrava na sala, mesmo que por alguns minutos”, registra Ana.

A história de Bruno Hilário, atual gerente da sala, começa em 2009, quando entrou como estagiário na gestão de Daniel Queiroz. “Na época, eu estudava cinema e tinha no Humberto Mauro um espaço democrático que unia divertimento e filmes de diferentes lugares”, destaca.

Ele acompanhou de perto a transformação da sala, primeiramente aos olhos do próprio Palácio das Artes, que passou a dar ao cinema o mesmo status de suas óperas e apresentações de balé. “Foi muito significativa essa passagem para gerência, ganhando maior autonomia e um lugar mais estabelecido na política interna”, observa.

Assim o Humberto Mauro se tornou referência nacional na realização de mostras retrospectivas, várias delas acontecendo na gestão de Rafael Ciccarini. Eram verdadeiras buscas arqueológicas, com cópias vindas do exterior, para não deixar nenhum filme de fora.

Acompanhadas por debates e catálogos, as mostras de Alfred Hitchcock, Charles Chaplin e Howard Hawks chamaram a atenção para a programação oferecida pela sala pública.

"É um lugar democrático, que abriga todos os tipos de filmes", observa atual gerente

A busca por ampliação e diversificação do público levou o cinema a um grande desafio, há quatro anos, quando passou a exibir filmes que não exatamente clássicos absolutos do cinema mundial.

“Quando promovemos uma mostra de Elvis Presley, um grupo muito reduzido de cinéfilos chegou a questionar. Não esquecemos os clássicos, mas buscamos dar uma outra cara”, destaca Hilário.

O cinema realizou, em seguida, mostras de “Star Wars”, de filmes de terror dos anos 90 e, com início nesta quinta-feira, uma dedicada às obras de artes marciais.

“Os filmes não são exibidos sem contextos. Há toda uma discussão que se dá em torno deles, propondo um outro olhar”, explica o atual gerente, lembrando que a quadrilogia “Pânico” foi apresentada no mesmo dia, coincidentemente, que a Cinemateca Francesa promovia uma sessão especial destes filmes.

No lado de infra-estrutura, a sala também passou por uma grande reforma em 2013, com novos sistema de som e imagem, tornando-se uma das primeiras de Belo Horizonte a ter projeção em DCP (Digital Cinema Packpage), que substitui as películas.

“O Cine Humberto Mauro se tornou um templo do cinema. Não só como um lugar sagrado, como a casa do cinema, mas também este lugar democrático, que abriga todos os tipos de filmes. Falar do valor de uma obra é sempre subjetivo e que temos nos permitido é chegar a risco, a um confronto. Isso é promover o diálogo”, analisa.

Texto e imagens reproduzidos do site: hojeemdia.com.br

quinta-feira, 5 de abril de 2018

A era de ouro do cinema em Bagé


A era de ouro do cinema em Bagé

Ferreira  

IV Festival de Cinema da Fronteira

Mas há que se destacar que Bagé possui uma personalidade ilustre, que, apesar de não ser realizador de cinema, encheu de sons e imagens os sonhos de muitos bajeenses, desde 1956. Empreendedor, empresário, contraditório, sonhador. Todos esses são sinônimos para definir Aristides Kucera, 86 anos.

O primeiro contato com as exibições foi em 1949, quando abriu seu primeiro cinema em Santiago. Mudando-se para São Gabriel em seguida, foi responsável pela abertura de mais dois empreendimentos. Em 1956, recebeu a proposta de compra de seu primeiro cinema em Bagé, o Cine Presidente, situado na esquina das ruas Fabrício Pillar com Juvêncio Lemos, a famosa “Baixada Bajeense”. Os primeiros filmes exibidos por ele foram: “Os Três Corsários” e “A Vida de Puccini”.
Após um ano de sucesso nas exibições do cinema em Bagé, Kucera enfrentou sua primeira prova de fogo. Conforme Elizabeth Macedo de Fagundes, na obra Inventário Cultural de Bagé, após 40 anos, o antigo Cine Teatro Avenida havia sido demolido em 1954. Porém, reconstruído, em 1957 foi reinaugurado. Na época, o cinema foi considerado um dos mais luxuosos e modernos do Rio Grande do Sul, contando com calefação, renovação de ar, poltronas estufadas e equipamento de exibição de qualidade de ponta. “Naquela noite, todas as sessões do cine Presidente tiveram o público total de 13 pessoas. Eu percebi, ali, que se não fosse embora daqui, era o fim para mim”, relata ele.

Mas com espírito empreendedor do proprietário, o cinema seguiu funcionando de forma normal. Seguia apresentando os filmes, que incluíam os clássicos de Oscarito. Em seguida, o empresário mostrou o espírito arrojado para os negócios e, através de uma parceria com outros dois empresários de fora da cidade, comprou os três maiores cinemas da cidade: Avenida, Glória e Capitólio. A isso, somavam-se o antigo Cine Presidente, na baixada, e o novo, na Marechal Floriano, no prédio do antigo Apolo. Essa foi a época de ouro do cinema bajeense. “Esse foi o negócio que mudou a minha vida em Bagé”, define ele.

Com grande público nos três principais cinemas, decidiu, então, fechar os dois cines Presidente, no início da década de 1960. Mas não parou por aí o interesse da sociedade pela sétima arte. Adquiriram salas de exibição em diversas cidades do Estado, chegando a ter 22 salas próprias funcionando concomitantemente. Mas o negócio bem sucedido cobrava seu preço. “Eu passava mais na estrada do que em casa. Ficava viajando mais de 20 dias por mês, visitando os cinemas das outras cidades. Tenho 86 anos e só tive três férias na vida”, conta.

Nessa mesma época, adquiriu cinemas em Dom Pedrito, Rosário do Sul, Cacequi, Alegrete, Quaraí, Cachoeira do Sul, Cassino e dois em Porto Alegre (Rosário e Estrela). Na ocasião, chegou a administrar 27 empreendimentos no RS.

A primeira grande crise dos cinemas aconteceu na segunda metade da década de 60, com a criação de uma lei que colocava como questão obrigatória a exibição de filmes nacionais em, no mínimo, 142 dias do ano. “Naquela época não havia uma grande produção, não tinha uma demanda para atender essa lei. O jeito era passar tudo o que conseguíamos obter de material”.

Kucera, à contragosto, começou a exibir alguns filmes nacionais de produção mais baixa, que começaram a afastar as famílias do cinema. “A maioria dos filmes tinha cenas fortes, era pornografia barata. Os pais começaram a afastar os filhos do cinema por causa disso”, relata.

Mas Bagé só sofreria com a perda de um cinema em 1978, com o fechamento do Glória. O fechamento do Capitólio veio logo em seguida, em 1982. Os outros dois empreendimentos só viriam a fechar décadas mais tarde. O Avenida encerrou suas atividades em 1995, tendo sido consumido por um incêndio em 1996. Nunca mais foi reativado. Já o Glória ganhou uma nova chance. Em 1998 reabriu, funcionando apenas na parte de cima da antiga sala. Encerrou definitivamente as exibições em 2000. Atualmente, o prédio abriga uma igreja evangélica. Muito da grande quantidade de material que o empresário ainda guardava foi queimada no incêndio do Edifício Avenida, em 1996, que destruiu as dependências já desativadas do cinema.

Com uma grande história de amor pela arte, Kucera ainda hoje é reconhecido. Foi escolhido como presidente de honra do III e IV Festival de Cinema da Fronteira. Hoje, ele reconhece o esforço dos realizadores locais como uma ascensão da cidade a uma nova era de ouro da sétima arte. “O festival surgiu de uma necessidade de incrementar o cinema na região. Ainda é um evento pequeno, mas tenho certeza de que vai crescer muito ainda”, afirmou.

Mesmo a idade avançada não impede Kucera de fazer planos. Ele conta que, mesmo hoje, sonha com a reabertura do Cinema Avenida. “Ainda hoje me pego pensando como seria se eu reabrisse, mas, em seguida, descarto o pensamento. Só posso adiantar que vem novidade por aí”, revela, fazendo mistério sobre a novidade.

Dizem que a primeira vez em um cinema a gente nunca esquece. Essa máxima se faz verdade, pelo menos para dois antigos frequentadores dos cinemas locais. Este foi o elo entre os amigos Valquir Marques, 67 anos, auditor fiscal aposentado, e o projecionista Valdenir dos Santos Veleda, 58 anos.
Marques relembra a primeira vez que foi ao cinema. “Fui com meu irmão mais velho no Cine Glória pela primeira vez em 1953. Eu tinha uns sete, oito anos. Quando entrei, foi aquele susto. Não lembro o filme a que eu fui assistir, mas recordo o meu choque com aquela tela enorme. Hoje em dia é até comum, mas, na época, quando só tínhamos o rádio, foi estarrecedor. Nem sei definir o que senti”, conta.

Já Veleda recorda que costumava assistir aos filmes que o padre Álvaro Muraro exibia aos estudantes do São Pedro. Mas a primeira vez que adentrou a sala de exibição do Glória foi escrita a crônica de um amor anunciado, que dura até hoje. A paixão virou profissão e Veleda nunca precisou se afastar das telas, assim como um dos personagens de seu filme preferido, o Totó de “Cinema Paradiso”. “Foi unir o útil ao agradável”, diverte-se o projecionista.

Os dois amigos, aproximados pelo amor ao cinema, também conquistaram a amizade de Kucera. Os três reúnem-se seguidamente para conversar sobre o assunto preferido: cinema. Marques, inclusive, já elaborou um roteiro para filmar um documentário sobre a vida do empresário. “Tem muita história para contar, é uma vida inteira dedicada às exibições. Tem material para muitas horas”, adianta.

Fábrica de sonhos

Com o advento do cinema, no final do século XIV, a atração se espalhou pelo mundo inteiro e se transformou em uma grande paixão. Era na tela que o público projetava seus sonhos e conhecia um pouco mais do mundo, que até então era restrito àqueles filhos de classes abastadas. O cinema possibilitou um sem fim de fantasias, que alimentavam, não só as crianças, com aventuras semanais como Flash Gordon e Tarzan, mas também davam sabor à vida e som às risadas dos adultos, com os filmes de Charles Chaplin, Buster Keaton e O Gordo e o Magro.

Bagé, em toda a sua história, sempre deu muito espaço às artes. Não poderia deixar de ser assim com a arte que sempre teve grande aceitação da população . Conheça, abaixo, algumas das fábricas de sonhos da cidade:

*- Cinema Apolo: de propriedade de Francisco Santos, foi construído em 1934. O projeto e a construção ficaram a cargo de Lourenço Lahorgue. Fechou na década de 1950 e cedeu espaço ao Cine Presidente, de Kucera.

*- Cinema Petrópolis: foi inaugurado em 1° de janeiro de 1930, no local onde hoje funciona a Padaria Globo, em frente à praça Santos Dumont. Um incêndio ocorrido em 1937 destruiu o prédio e matou uma mulher e uma criança que estavam na casa do zelador. Após o sinistro, não foi reconstruído.

*- Cine Teatro Glória: foi inaugurado em 7 de fevereiro de 1947, pertencente ao Circuito de F. Cupelo & Cia. Ltda. O filme exibido na inauguração foi “Dois Marujos e uma Garota”. O cinemascope do Cine Glória foi inaugurado em 11 de novembro de 1955. Foi fechado pela primeira vez no final da década de 1970 e reaberto em 1998, permanecendo dois anos em funcionamento. Atualmente, funciona no prédio uma igreja.

*- Cine Teatro Coliseu: a casa de espetáculos foi inaugurada ainda no século XIV, quando eram realizadas touradas e exibições circenses. Em 1897, durante a apresentação de uma companhia de ginástica, houve a explosão de um depósito de querosene que alimentava os bicos de iluminação. Três menores e um adulto morreram em consequência. Em 1907, começou a exibição de filmes da empresa Maciel & Coca, de Livramento, que percorria o Estado com o cinema ambulante. Em 1931, foi inaugurado o sistema sonoro. Cerrou suas portas em 15 de janeiro de 1946. O prédio que atualmente abriga a área é o Centro Antoniano.

*- Cine Capitólio: foi inaugurado em 12 de janeiro de 1934 pelo empresário Salim Kalil. Na noite de 29 de março de 1941 um incêndio se espalhou e destruiu o prédio, com danos apenas materiais. Foi reconstruído e reinaugurado em 1942. Fechou suas portas de vez em 1982.

*- Cine Teatro Avenida: Inaugurado em 1914.O cinema falado chegou a Bagé em agosto de 1929 e foi no cinema Avenida sua primeira apresentação. O filme “La Cumparsita” foi acompanhado de uma orquestra típica argentina com a música Remember. Em 21 de setembro de 1931, houve a estreia do cinema sonoro, com o filme “Bancando o Lorde”, do cantor Harry Richmann. Foi demolido em 1954 e um novo cinema inaugurado em 1957, junto com o conjunto residencial Condomínio Avenida. O cinema foi desativado em 1995 e um grande incêndio, em 1996, destruiu as dependências da sala de cinema.

* Inventário Cultural de Bagé – Elizabeth Macedo de Fagundes

Fonte: jornal Minuano

Texto e imagem reproduzidos do site: alternet.com.br

Projecionistas levam suas vidas nos corações dos cinemas do Recife


O projecionista Thaynam Lázaro trabalha no Cinema do Museu
Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em em 16/03/2018

Projecionistas levam suas vidas nos corações dos cinemas do Recife

Profissionais praticamente invisíveis, os projecionistas colecionam histórias enquanto projetam outras nas telonas dos cinemas

Por Rostand Tiago

O cinema como experiência abraça uma gama de elementos. É um ritual que começa ao se programar em casa, deslocar-se e sentar em uma sala escura com estranhos, ficando totalmente vulnerável a uma luz que vem das profundezas do local. Por trás desta luz, que projeta as imagens das narrativas (ou não-narrativas), há alguém, de carne e osso, que acaba por acumular histórias ao projetar outras. A visão ampla da sala de exibição e os percalços da profissão ajudam nisso. E assim, estes projecionistas, profissionais invisíveis, levam suas vidas nos corações dos cinemas da cidade.

Miguel Tavares, 44, tem sua vida ligada a cinemas desde sua juventude. Seu pai trabalhou na construção do extinto Cinema Veneza, localizado na Rua do Hospício, e garantiu um emprego na área de limpeza após o término da obra. Foi por meio dele que Miguel também começou a trabalhar na mesma função no local e foi migrando por vários cinemas, até parar no São Luiz. Lá, começou a frequentar a cabine da projeção e foi aprendendo o ofício de longe, apenas observando. Quando um projecionista precisou tirar férias, surgiu a oportunidade de mostrar sua expertise com o equipamento. Vingou e já trabalha como projecionista há 12 anos.

"Sempre fui apaixonado por cinema, aperreava meu pai para me colocar pra dentro da sessão nos fins de semana e hoje estou aqui, trabalhando no coração do cinema", afirma Miguel. Entre suas histórias enquanto projetava histórias, ele lembra de quando precisou ficar mais de duas horas com a mão dentro do projetor. "O filme de película 'torou' durante a projeção e não podia deixar arranhar a fita, então coloquei a mão lá para impedir isso. A sessão estava lotada, era uma pré-estreia, se parasse a exibição, ia ser o maior vexame. Botei o dedo para a fita correr livre e não tocar em nada por duas horas", relembra.

Situações como essa ficaram mais raras com a transição do equipamento de projeção, que passou da película de 35 mm para o DCP digital, com o projetor adquirido em 2015 pelo São Luiz. "Antes a gente recebia o filme dividido nos rolos e tínhamos que montar em ordem no projetor. Precisava de bastante atenção para o filme não ficar de cabeça pra baixo ou fora da sequência. Agora no digital, tem que ter bastante atenção, colocar o filme certo na playlist, para não ter confusão. Não que a película seja ruim, mas a mudança a qualidade de imagem e som do digital é muito boa", explica. O antigo projetor ainda é mantido e alguns filmes são exibidos nele.

Quem também passou por essa transição tecnológica no cinema foi João Bosco, 54. Entrou profissionalmente para o Cinema São Luiz há 36 anos, em 1982, como técnico de refrigeração. Com o fechamento do cinema em 2006, ele foi transferido para o cinema do Shopping Boa Vista, onde aprendeu o ofício de projecionista. O São Luiz reabriu em 2009 e precisavam de alguém que trabalhasse na cabine e conhecesse o local. Assim, João foi logo convidado para voltar a trabalhar no local, desta vez na cabine de projeção, onde aprendeu também a manipular o equipamento digital com um técnico de São Paulo.

"A película é muito mais complicado. Ela vem dividida, então tem que verificar se está tudo certo, montar parte por parte. Digital é como se sentasse em sua casa, colocasse um DVD e assistisse", afirma.  João Bosco, se orgulha que nesses 12 anos de profissão, nunca ter acontecido nenhum problema em suas projeções e diz ter uma afeição especial aos métodos mais antigos. "Trabalhar com película é uma coisa linda, ir para a bancada, revisar o filme, montar, colocar no projetor, fazer emenda em menos de um minuto caso a fita parta. Digital é mais vazio", conclui João.

Uma história de 20 anos por trás da luz

A projecionista Luciene Arruda possui uma trajetória semelhante a de João Bosco, trabalhando em shoppings e em cinemas menores, com uma carreira cheia de idas e vindas. Tudo começou há 20 anos, quando Luciene se candidatou para trabalhar na bomboniere do cinema do Shopping Recife. A administração do local avaliou o currículo dela e preferiu colocá-la na cabine de projeção, já que tinha alguns cursos da área de eletrotécnica na bagagem. “Tive um treinamento de dez dias lá, aprendi na porrada mesmo, nem sabia como era uma sala de cinema por dentro. Vi todas as máquinas e fiquei ‘meu Deus, vou conseguir mexer nisso não’”, conta Luciene.

Ela venceu as máquinas e trabalhou no complexo sistema de exibição de um cinema multiplex, com dez salas. "Era muita sala para organizar, então a gente não ficava necessariamente na cabine, ficávamos em uma central de monitoramento das cabines. Quando dava algum problema, a gente ia para as cabines e resolvia", conta. Passou dois anos nessa jornada mais movimentada, até que foi chamada para trabalhar na Prefeitura do Recife, no Teatro do Parque no Cine Apolo. Foi conciliando a vida entre a projeção e os estudos de graduação em pedagogia por 18 anos. Estava pronta para começar a lecionar quando foi convidada para trabalhar no Cinema do Museu, administrado pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).

Nessas rotinas, adquiriu um arsenal de habilidades em diversos tipos de projeção. Super-8, 16 mm, 35 mm e, mais recentemente, a digital. "Ao trabalhar com uma sala só, é menos corrido. Como só tem um projetor, a possibilidade de ocorrer um erro deve ser zero. Eu faço tudo com muita responsabilidade para isso não acontecer. Eu amo cinema, então tenho concentração máxima entre tela e projetor, para não deixar nada errado", explica.

O "teste das cabeças"

Mesmo com essa possibilidade de algo dar errado ser quase zero, às vezes algo acontece, mas nada que seja irremediável. Uma das pessoas que divide essa responsabilidade com Luciene no Cinema do Museu é Thaynam Lázaro, que desenvolveu técnicas para conferir se está tudo correndo bem. "Nossa profissão é praticamente invisível, o público só lembra da gente quando algo dá errado. Então, eu uso o 'teste das cabeças' para saber se tá tudo bem. Se as cabeças estão viradas para a tela, as coisas estão funcionando certo. Se estão me olhando, é que tem algo errado", elucida Thaynam.

A relação do jovem de 27 anos com a sétima arte vem desde a infância, quando começou aos 9 anos a frequentar sozinho a sessões do acessível cinema do Teatro do Parque, hoje fechado. "Eu estudava no centro da cidade, ia para o Parque e via o mesmo filme um milhão de vezes", afirma. Frequentava também outros cinemas do centro, chegando ao ponto de conhecer os funcionários do cinema do Shopping Boa Vista e conseguir entrar de graça quando as sessões não estavam muito lotadas. Apaixonado, formou-se em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e participou de um curso para se capacitar na área de projeção. Thaynam ainda se envolve com produções no seu tempo livre. 

Segundo ele, o que mais pesa quando pensa na profissão é a responsabilidade com o aparato que lida. "São equipamentos caros, é um órgão público, se quebrar alguma coisa, o cinema meio que fecha. É preciso ter muito cuidado e zelar por tudo", aponta. Esse zelo é sintomático de um profissão que zela também pela experiência cinematográfica para quem faz todo o ritual da ida ao cinema. Afinal, se a sétima arte mudou a vida destes profissionais invisíveis, que ajudam no bombeamento do coração do cinema, nada mais justo do que se esforçarem para que ela continue existindo da melhor forma e mudando outras vidas.

Texto e imagens reproduzidos do site: jconline.ne10.uol.com.br

sexta-feira, 2 de março de 2018

O alternativo é a maior diversão


 Pedro Pinheiro, em foto de Aluizio Arruda, 1999

 ‘Seu’ Alexandre, em foto de Hans V. Manteuffel, 1999

 Lula Cardoso Ayres Filho, em foto de Roberto Figueiroa, 1999

Kleber Mendonça Filho, em foto de Hans V. Manteuffel, 1999

Publicado originalmente no site Cinema Escrito, em 15.02.2018 

O alternativo é a maior diversão

Confira, nesta reportagem de 1999, como era o circuito exibidor para filmes alternativos no Recife.

Por Luiz Joaquim 

* Texto originalmente publicado em 1º de novembro de 1999, no Caderno C, do Jornal do Commercio (Recife). Na foto acima, de Hans V. Manteuffel, o então programador do Cineteatro do Parque, Geraldo Pinho.

Em 1999, então no Jornal do Commercio (Recife), resgatei uma reportagem feita no ano anterior como exercício para uma disciplina do curso de Jornalismo.

Na versão para o jornal, que publico abaixo, atualizei os dados da matéria universitária e me concentrei em fazer um apanhado detalhado da situação das salas que ofereciam uma programação mais alternativa no Recife do final do século passado.

As reportagens tomaram 3 páginas da edição do “Caderno C” daquela segunda-feira.

Na pauta, o Cineteatro do Parque, as “Sessões de Arte” do São Luiz, o Cineteatro Arraial, o Instituto Lula Cardoso Ayres, e o mais jovem deles, o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco; além de uma material vinculada sobre ‘Seu’ Alexandre.

Confira abaixo.

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Recife é a capital nordestina mais expressiva no que se refere à sétima arte, ao menos em termos de casas de projeção. Além de abrigar dois Multiplex, inaugurados há pouco mais de um ano (e que não deixa a desejar às salas internacionais), é a cidade que mais oferece espaços para exibição de películas alternativas. São três cinemas correndo por fora do circuitão. Cada um deles dentro de um perfil particular, mas com uma coisa em comum. Todos já foram, e ainda são, utilizados como Teatro.

O Cineteatro do Parque é o mais tradicional e atrai um público cativo. O Cinema da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) é o mais bem equipado e o Cineteatro Arraial é o que mais oferece mostras temáticas. Existem ainda no Recife duas sessões especiais, exibidas durante dois dias da semana, em uma das salas mais glamourosa do país – o Cine São Luiz; e, completando, uma espécie de cineclube que projeta clássicos, com entrada franca, semanalmente – o Lula Cardoso Ayres.

Cineteatro do Parque – Um caso de amor antigo com o cinema – Em agosto de 1915 nascia mais uma sala para apresentações teatrais no Recife. Era o Teatro do Parque. Concebido originalmente para abrigar as manifestações da arte cênica recifense, a casa sofreu um golpe do destino. Seu fundador, o Comendador Bento Aguiar, veio a falecer poucos dias após sua inauguração. Quando a família do Comendador assumiu, a casa já não estava numa situação financeira confortável. A prefeitura do Recife arrendou o prédio e o transformou num cinema. Toda a comunidade artística da cidade ficou furiosa com a novidade. Em 1929, Luiz Severiano Ribeiro comprou o Parque da prefeitura. Foi nesse período que o Cineteatro exibiu o primeiro filme sonoro que o recifense ouviu.

O empresário da rede de cinemas possuía, então, (juntamente com o Cine Moderno, inaugurado em 1914), duas casas de exibição no Recife. Foi quando, em 1959, o prefeito Pelópidas Silveira, negociou o cinema da rua do Hospício, e o transformou em Patrimônio Cultural do Recife. A casa só veio a projetar películas novamente em 1974/1975. Eram filmes didáticos, educativos e documentários, sob a direção dos jornalistas e cineastas Fernando Spencer e Celso Marconi. Em 1993, assumiu seu atual coordenador, Geraldo Pinho.

O Cineteatro do Parque possui 1.034 poltronas, mas, para as sessões de cinema, apenas 900 ingressos são vendidos. É que das seis cadeiras existentes nos camarotes apenas quatro permitem enxergar a tela com relativo conforto. Além disso, outros assentos nas primeiras filas também podem deixar o espectador com torcicolo. Isso acontece porque o prédio não foi projetado para funcionar como cinema.

Geraldo diz que pretende promover sessões às 14h30, mas vai depender da conclusão de um projeto de climatização para o cineteatro, financiado pela Caixa Econômica Federal. Além da disponibilização de um ar-condicionado para o local, a futura reforma inclui uma película revestindo o teto (impedindo também a entrada de luz) e a suspensão da cabine de projeção em 90 centímetros (ampliando a abrangência do facho de luz do projetor). A obra promete ainda uma melhor disposição dos alto-falantes espalhados pelo recinto, dando uma maior sensação de envolvimento com o filme. Segundo Geraldo, a reforma está prevista para ser iniciada ainda nesse mês.

“Muitas vezes as pessoas pensam que o Cinema do Parque `come’ algumas partes do filme por conta de um corte brusco de uma cena para outra. Mas eu nunca iria permitir exibir um filme incompleto. O que acontece é que as cópias, quando chegam ao Parque, já passaram por dezenas de salas no Brasil. Já sofreram bastante revisões e já estão um tanto maltratadas. Outro detalhe é que trabalhamos com dois projetores que nem sempre estão alinhados ou sincronizados e, quando alternamos as projeções, têm-se a sensação de que alguma coisa foi perdida”, explica.

Mas, apesar das ressalvas do público a respeito da qualidade do som, do calor, e do desconforto das cadeiras de madeira, o Parque mantém-se cativo no gosto popular de um grupo específico que circula pelo Centro do Recife. Além de perpetuar o costume de trazer o espectador, ao preço módico de um Real, para a exibição de uma boa fita (na maioria das vezes reprise de um filme que teve passagem meteórica na cidade), o Parque mantém uma agenda com três programas alternativos ao ano.

São Luiz busca alento na arte – A história da Sessão de Arte do mais suntuoso cinema recifense nasceu, na realidade, em Fortaleza. Tudo começou em 94, quando Pedro Martins, o administrador de um pequeno cinema da capital cearense, resolveu experimentar exibir filmes com apelo menos comerciais em horários isolados. A invenção deu certo e o Grupo Severiano Ribeiro (GSR) tratou logo de assumir a fórmula para o Cine Fortaleza (espécie de Cine Veneza do Ceará) e as salas Iguatemí 1, 2 e 3 (equivalentes às exterminadas Recife 1, 2 e 3).

Comprovado o sucesso, a Sessão de Arte se alastrou para Natal e Maceió. “No Recife, o filme inaugural foi A Rainha Margot, exibido em março de 95”, lembra Pedro Pinheiro, gerente local da programação do GSR. “No início do projeto”, continua “podíamos organizar a programação até com um mês de antecedência e tínhamos mais e melhor material para divulgá-lo. Também não havia tantas salas como existem hoje no Recife, o que restringe a disponibilidade de filmes nas distribuidoras”.

O trajeto das cópias que chegam às sessões de sexta e segunda-feira no São Luiz segue mais uma logística geográfica e econômica do que uma demanda artística da praça pernambucana. Os filmes que vêm das distribuidoras do Rio de Janeiro e São Paulo seguem direto para Fortaleza, depois descem para Natal, Recife e por fim Maceió, até voltar ao local de partida. “Esse roteiro só é quebrado quando a obra é sucesso de bilheteria, nos obrigando a programar outra exibição na semana seguinte”, diz Pinheiro. O itinerário é determinado pela parceria firmada entre o GSR e a Transportadora Cinco Estrela, que tem sua publicidade exibida precedendo às projeções das películas.

Quanto às reclamações de alguns frequentadores a respeito da escura projeção do cinema, Pinheiro conta que esse problema foi minimizado com a compra de uma nova lâmpada com menos horas de uso. “Acredito que independente do projetor ser velho ou novo, a boa projeção vai depender do correto manuseio da máquina e de sua adequada manutenção. E não podemos querer comparar a dimensão de uma sala como a do São Luiz com as do Multiplex. A longa ou curta distância entre o projetor e tela configura distintos resultados de claridade na tela”, diz.

E para responder às queixas pelas poucas sessões de alguns títulos consagrados, o gerente diz que não seria pertinente colocar em cartaz, por exemplo, um filme de Ingmar Bergman, nos sete dias da semana. “Se o assim fizesse, viria a mesma quantidade de pessoas que vem na sexta e na segunda-feira, só que de forma diluída durante os sete dias”, acredita. Pinheiro lembra que sugestões e reclamações a respeito da Sessão de Arte do São Luiz podem ser feitas acessando tipecinezaz.com.br.

Arraial integra a `resistência’ dos cinemas de arte – Localizado na Rua da Aurora, o Cineteatro Arraial está sob administração do Governo do Estado. Seu coordenador é o cineasta e jornalista Celso Marconi, que já dirigiu o extinto Cine Ribeira, no Centro de Convenções, além do Cineteatro do Parque, com Fernando Spencer. Com suas atividades iniciadas em abril do ano passado, o Arraial tinha entrada franca para um espaço com 98 poltronas destinadas a quem quisesse rever clássicos do cinema nacional e internacional. A programação de película do Arraial era geralmente atrelada à filmoteca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, que emprestava algumas cópias para a Secretaria de Cultura de Pernambuco.

Tentando driblar as dificuldades de conseguir filmes sem dar retorno financeiro ao distribuidor, uma vez que não pode cobrar um preço extravagante pelo ingresso, Celso mantém o espaço pulsando através de projeção de vídeos, como a recente mostra em homenagem a David Lynch. A boa notícia é que o Cine Arraial voltará, nessa quarta-feira, a usar seus projetores de película. Com o apoio da Aliança Francesa, da Embaixada Francesa no Brasil e do Consulado Geral da França no Recife, o Arraial exibe um curta-metragem e oito longas franceses inéditos. Serão duas mostras temáticas: a Jovem Cinema Francês (cinco filmes produzidos entre 94 e 97), e A França Vista Por… (um curta e três longas feitos entre 62 e 90).

A vida de um homem de projeção – Talvez a grande vedete do Cine Arraial não sejam os filmes, mas quem os projeta na tela. `Seu’ Alexandre atua há mais de 40 anos como projecionista, e é considerado um verdadeiro mestre pelos colegas. Ele começou exibindo filmes cedo, quando ainda tinha 19 anos de idade. A primeira experiência foi no Cineteatro do Parque e, depois, em 1952, foi ao velho Art Palácio.

`Seu’ Alexandre passou quase quatro décadas da própria vida dentro da cabine do extinto cinema, e costumava dizer que era ali era a segunda casa dele. Foi quando teve início uma outra fase da história de projeção de filmes no Estado: a era dos shopping centers. A inauguração dos cinemas geminados do Shopping Guararapes, em Piedade, deu início também à desativação das salas mais tradicionais do grupo Art Filmes. A empresa contava – além do cultuado Art Palácio – com o Trianon (também no centro da cidade), e o Art Boa Viagem, que teve vida breve.

Mas `Seu’ Alexandre não ficou desempregado por muito tempo. Em 1992, o diretor do Museu da Imagem e do Som, Celso Marconi, convidou o mestre da projeção para pilotar a máquina do Cine Ribeira, no Centro de Convenções, que permaneceu até 97. Hoje, o projecionista assume, sem dificuldades, o controle do equipamento da Cine Arraial. É que a máquina é exatamente a mesma que ele manuseava no Art Palácio e no Ribeira. `Seu’ Alexandre seguiu o mesmo itinerário do projetor (ou vice-versa). Projetor esse que talvez seja o `amigo’ mais antigo do maior homem de projeção da cidade.

Mais que uma sala, um santuário –  O violento o impacto que qualquer pessoa recebe ao conhecer o Instituto Lula Cardoso Ayres. Apesar de estar situado em uma localização ingrata para um cinema de filmes alternativos (próximo ao Shopping Guararapes), é, no mínimo, inquestionável a pertinência de uma visitação ao local feita por aquele assumido apreciador da sétima arte. Além da Sala Alberto Cavalcanti, onde acontecem as projeções de filmes em 16mm e 8mm, o espaço agrega um museu iconográfico do artista, uma biblioteca, uma cinemateca, uma galeria de arte e uma loja de artigos afins.

Sendo definitivamente o mais charmoso lugar da região metropolitana onde se possa assistir um filme não-comercial, a sala do Instituto exibe, sempre às 17h do sábado, pérolas do início do cinema sonoro e, principalmente, do cinema mudo. Em ótima conservação, e somando quase 3.000 títulos, as cópias do acervo da cinemateca detêm raridades de Charles Chaplin como Her Friend: The Bandit, Mabel’s Strange Predicmant e His Favorite Bestime, dadas como desaparecidas pelo próprio criador de Carlitos.

“Nós temos 74 dos 81 filmes realizados por Chaplin. Temos todas as obras dirigidas por Buster Keaton e 85 dos 102 trabalhos de O Gordo e O Magro. É também do acervo 150 filmes nacionais, inclusive O Palavrão, de Cleto Mergulhão, que foi o último filme pernambucano em 35mm antes de O Baile Perfumado”, diz orgulhoso Luiz Cardoso Ayres Filho que, junto com sua esposa, a arquiteta Regina, administram o espaço.

Instituída a 2 de dezembro de 93, a sala de cinema conta com 45 assentos de madeira, conseguidos de um extinto cinema do município de Pombos, ar-condicionado e uma decoração mostrando quadros ilustrados com ícones cinematográficos. A maquinaria disponibilizada por Luiz Cardoso Ayres Filho reúne dez projetores de Super8 (para bitola de 8mm) e dois projetores RCA e dois Bell and Howel (ambos para 16mm). “Na verdade, gosto de usar meu projetor Kodak para as sessões semanais. É que os filmes na bitola 16mm têm a banda sonora muito delicada, e essa máquina tem um leitor sonoro mais sensível”, explica.

Projetos – Em recente viagem feita a Curitiba, Luiz Cardoso Ayres Filho conheceu a Cinemateca da Fundação Cultural do município, que detém um acervo de 1.200 filmes (35mm incluídos). Lá, ele teve a oportunidade de ensaiar um futuro intercâmbio com a instituição do Paraná. “Eles mantêm três cinemas, com média de 130 lugares, exibindo filmes alternativos através de equipamentos equivalente aos do Multiplex. E o mais importante”, ressalva “é que o ingresso custa apenas R$ 6,00”.

Contando que a partir do início do próximo ano vá se dedicar integralmente ao Instituto, o coordenador sonha em adquirir um projetor portátil de 35mm e construir um novo espaço agregado ao local para exibir filmes desse porte. Também é um desejo seu criar oficinas de cinema a preços acessíveis. Enquanto isso não acontece, Luiz Cardoso Ayres Filho avisa que o Instituto está aberta das 16h às 20h, entre quarta a sábado, para quem quiser pesquisar nos diversos livros sobre artes plásticas e cinema da Sala Gilberto Freyre.

O visitante também pode consultar a discoteca do Arquivo Cultural Aranha de Moura, que, entre outras preciosidades, reúne gravações originais da década de 20. Há ainda o Museu Lula Cardoso Ayres com exposição permanente do artista, dando chance para que se conheça toda a obra desse que foi um dos pioneiros no design gráfico em Pernambuco.

Fundaj – Modernidade para o cinema alternativo – Reinaugurado em março de 1998, o Cineteatro José Carlos Cavalcanti Borges, da Fundaj, é a sala mais bem equipada da cidade e oferece 320 lugares em um espaço climatizado por ar-condicionado central. Sua aparelhagem de som foi a primeira a apresentar ao recifense o verdadeiro efeito que o formato Dolby Spectral Recording pode produzir no espectador. Com duas caixas acústicas localizados nas laterais da tela, uma outra, de baixa frequência, embaixo do palco e outras mais espalhadas ao redor da plateia, o público pode até sentir estremecer seu assento, se for o caso. O projetor, o americano Simplex/ Strong, dispõe de objetivas cristalinas projetando imagens tão limpas quanto as dos internacionais Multiplex.

Desde o final da década de 70, a Fundaj já disponibilizava o chamado `cinema de arte’. As exibições aconteciam no prédio da Fundação de Apipucos e depois veio ocupar a Casa da Cultura. Foi só em 1988 que a sala José Carlos Cavalcanti Borges começou a exibir películas. O atual perfil do cinema no Derby se deu graças à criação do Instituto de Cultura da Fundaj, e à aprovação do seu projeto de reaparelhamento, pelo Ministério da Cultura, no valor aproximado de R$ 50 mil.

Além de trazer ao Recife produções que ainda não passaram pelo Rio de Janeiro (como Os Amantes do Círculo Polar), a Fundação também promove mostras temáticas. Em parceria com o Estação Botafogo, aconteceu em agosto do ano passado a mostra O Homem que Amava as Mulheres. Foram 16 filmes do mestre François Truffaut, a maioria inédito na cidade. Em setembro, o cinema trouxe, em parceria com o Sociedade Cultural Brasil-Espanha, a Jornada de Cinema Espanhol. Fechando 98, foi exibido uma mostra Retrospectiva com o melhor do ano (que irá se repetir em 99), e em julho último aconteceu a I Mostra de Filmes Italianos, com o suporte do Consulado da Itália e da TIM. O crítico de cinema Kleber Mendonça Filho é o responsável pela Divisão de Cinema do Instituto de Cultura da Fundaj.

Texto e imagens reproduzidos do site: cinemaescrito.com

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Os novos projetores de laser da IMAX...


Os novos projetores de laser da IMAX fazem-me desejar que eu viva em um cinema

O som surround e as TVs 4K são ótimas para assistir filmes em casa, mas ainda não há nada como sentar na frente de uma tela gigante em um teatro IMAX. Recentemente tive uma primeira olhada exclusiva na empresa da próxima geração de projetores de laser digital, e eu andei longe da experiência querendo ver cada filme remasterizado e projetado usando a nova tecnologia.

O que a empresa desenvolveu para o futuro vai mudar a experiência cinematográfica durante décadas: as imagens gigantes da empresa é conhecida por ser agora brilhante e afiada o suficiente para revelar todos os detalhes que os cineastas e cinegrafistas trabalharam duro para capturar. As cores são tão brilhantes e intensas que agora acrescentam ainda mais realismo às imagens geradas por computador. E o contraste é tão distinto que ao assistir a filmagens da Estação Espacial Internacional você se sente como se estivesse realmente olhando para a escuridão do espaço.

É como a primeira vez que você tem um In-N-Out Burger, e então perceber que você nunca pode pé em um McDonald's nunca mais.

O problema com projetores digitais

Projetores digitais que rivalizam com o brilho ea qualidade dos projetores de filmes tradicionais têm sido usados ​​em cinemas em todo o mundo há alguns anos. Você será duramente pressionado para encontrar um novo teatro que não tem projetores digitais instalados em cada auditório. Eles são mais fáceis de manter, mais simples de calibrar e distribuir um filme em um disco rígido é muito mais barato do que o envio de um conjunto pesado de rolos de filme.

Para o público em geral do cinema, projetores digitais produzem imagens mais nítidas em comparação com o que viram vindo de impressões em filme. Não há mais sujeira e detritos aparecendo aleatoriamente na tela, e essa imagem sutilmente agitada - resultado de Gate Weave enquanto o filme se move fisicamente através do projetor - não é mais. Mas enquanto os projetores digitais melhoraram a experiência de teatro para a maioria das audiências, ainda havia alguns compromissos com a mudança para a nova tecnologia.

Os gigantescos projetores digitais usados ​​nos cinemas hoje funcionam basicamente da mesma maneira. A luz branca de uma lâmpada de xenônio extremamente brilhante (e quente) passa através de um prisma, como você vê na foto acima, e é dividida em três cores primárias. Nos lados deste prisma estão três chips cobertos em milhares de espelhos minúsculos controlados individualmente que redirecionam a luz vermelha, verde e azul agora separada através de uma lente e depois para a tela em várias combinações e intensidades. Essa é uma simplificação grosseira de como o processo funciona, mas é essencialmente como um projetor digital moderno é capaz de produzir milhões de cores na tela.

Há muitos problemas sutis com essa abordagem, no entanto. Como as imagens mais brilhantes e mais escuras estão sendo geradas, os componentes que cercam esse prisma são constantemente aquecimento e resfriamento. Projetores modernos são projetados para manter uma temperatura constante para todas essas partes, mas é impossível fazê-lo perfeitamente quando um lado de cada um desses chips espelhados é pressionado contra esse prisma de vidro.

Como resultado, esses componentes repetidamente expandir e contrair durante o curso de um filme que sutilmente empurra os chips dentro e fora de alinhamento. E isso produz artefatos visuais na tela, como uma perda de clareza e nitidez. Ele também tem o seu pedágio sobre o hardware ao longo do tempo, degradando lentamente a qualidade da imagem como um projetor está continuamente mostrando filme após filme, dia após dia.

Esta tecnologia também não pode reproduzir o nível extremo de contraste que o filme é capaz de capturar, e um projetor de filme é capaz de exibir. O que significa que muitos diretores e cineastas simplesmente não estão felizes com como um filme que passaram meses e meses dominando acaba por olhar para um teatro moderno. Projetores digitais podem ter muitas vantagens sobre o filme, mas ainda há uma enorme quantidade de espaço para melhorar a tecnologia. E é exatamente isso que a IMAX fez.

Como IMAX os fez muito melhor

Como uma empresa, IMAX tem sido sempre sobre como tornar a experiência cinematográfica tão imersiva quanto possível para o público. É por isso que ele construiu uma gigantesca tela de 120 pés de largura em um cinema em Sydney, e por que conseguiu convencer os cineastas a disputarem câmeras gigantescas capturando imagens para filmes gigantes de 15 perftros de 70 milímetros. Vendo um filme IMAX é uma experiência completamente diferente de ver um filme em um teatro regular, e para continuar a melhorar essa experiência, a empresa percebeu que os projetores digitais precisavam de algumas atualizações importantes.

E a chave para a tecnologia de projeção digital da próxima geração da IMAX é o laser.

Laser projetores baseados não são exatamente uma coisa nova, embora. Eles realmente tem sido em torno de alguns anos. Mas o que diferencia a nova tecnologia de projetores da IMAX é como esses lasers estão sendo usados. Esse prisma problemático setup? Isso se foi.

Você realmente não precisa de um prisma para dividir a luz branca em três cores primárias porque você já pode obter lasers em vermelho, azul e verde. Então, o que esta caixa mágica faz (IMAX não estava interessada em revelar os segredos de como toda a nova tecnologia proprietária que gastou milhões de dólares em desenvolvimento trabalhado) é redirecionar a luz de um trio de lasers para uma tela em misturas e intensidades precisas Para reproduzir mais cores do que o olho humano pode discernir.

Esse é o cerne do que torna os novos projetores digitais da IMAX um salto à frente das tecnologias existentes, mas é apenas uma parte de um sistema maior projetado para produzir uma imagem com níveis de detalhe, nitidez, contraste e brilho nunca antes vistos.

O teatro Cineplex Scotiabank IMAX, no centro de Toronto, é o primeiro teatro público do mundo a ser atualizado com a nova tecnologia de projetor a laser da empresa, e durante a minha turnê nos bastidores da cabine de projeção outro sistema não tão secreto Características foi revelado: cada teatro terá realmente dois desses projetores de laser trabalhando em conjunto.

Não é para redundância, no entanto. Os dois projetores realmente trabalham juntos para alcançar níveis absolutamente impressionantes de brilho e contraste. Quando uma imagem com áreas brilhantes e escuras é projetada usando a tecnologia digital no lugar nos cinemas agora, as áreas mais brilhantes do quadro sempre acabam lavando os detalhes nas áreas mais escuras. Com a nova tecnologia de projeção da IMAX, há uma impressionante quantidade de detalhes preservados nas áreas mais escuras de uma imagem, mesmo que outras partes do quadro pareçam mais brilhantes que o sol.

A configuração de projetor dupla lado a lado também ajuda a melhorar a nitidez e reduzir os artefatos de aliasing irregulares freqüentemente vistos ao longo de bordas curvas em imagens digitais. Em uma TV de 50 polegadas 4K é quase impossível para seus olhos verem artefatos digitais, mas quando uma imagem de 4K é projetada em uma tela de 120 pés de largura, eles de repente se tornam fáceis de detectar. E artefatos como esse podem distrair os membros da audiência da experiência.

Assim, para ajudar a imagem 4K olhar tão limpo e nítido quanto possível em uma tela gigante, como parte do processo de masterização IMAX duas imagens quase idênticas são produzidas que são projetados em cima uns dos outros ao mesmo tempo. Mas enquanto essas duas imagens parecem idênticas, elas realmente não são. Ambos estão ligeiramente deslocados, imperceptivelmente, para produzir detalhes extra entre o nível de sub-pixel quando superpostos uns sobre os outros.

As pessoas geralmente se referem ao filme como tendo uma resolução ilimitada porque não há pixels individuais para quantificar. E esse foi um dos objetivos da IMAX com sua nova tecnologia de projetores. Em um nível técnico cada projetor está produzindo uma imagem de 4K, mas trabalhando juntos eles ajudam a produzir uma imagem que é quase impossível para o olho humano para discernir os pixels individuais.

Além de tudo isso, os sistemas de controle de qualidade da IMAX significam que a experiência de teatro de um cineasta em Sydney tem, será exatamente a mesma experiência que alguém em Toronto tem. Sensores nos projetores real manter o controle de tudo, desde a temperatura à umidade, e todos os dados que é monitorado remotamente do IMAX's HQ. Assim, se um componente individual em um dos projetores relata um pico anormalmente alto na temperatura, a empresa saberá que uma falha pode ser iminente e enviará um técnico para substituir a peça antes que ela realmente falhe.

Existem também câmeras constantemente apontadas na tela para monitorar a qualidade da imagem e garantir que o sistema esteja sempre devidamente calibrado para obter ótimos visuais. E além das grandes melhorias feitas no que é visto na tela, a IMAX também está introduzindo um sistema de som surround de 12 canais atualizado com alto-falantes laterais e de teto adicionais que serão constantemente monitorados por microfones colocados ao redor do espaço para garantir que a empresa incrivelmente Sistema de som poderoso está funcionando corretamente.

IMAX sempre se concentrou em oferecer uma experiência de cinema como nenhuma outra, e este novo sistema de projeção e as tecnologias por trás disso permite à empresa levar as coisas um passo adiante. E não só com uma imagem melhor na tela, mas com a capacidade de garantir que cada teatro IMAX no mundo está funcionando exatamente como eles foram projetados para.

Imagens mais brilhantes, cores intensas e detalhes incríveis que o deixarão maravilhado

Lembro-me da primeira vez que vi um filme num teatro com um novo projector digital. Enquanto a imagem rock-steady era brilhante, nítido e extremamente colorido, eu andei longe ficando impressionado com a nova configuração, mas, finalmente, querendo mais. E a demonstração que IMAX me deu de seu novo projetor de laser entregou exatamente o 'mais' que eu estava procurando há muitos anos.

IMAX acredita que os níveis de brilho e contraste de seu novo sistema de projeção a laser superarão até mesmo os projetores de filmes tradicionais. E tendo visto filmes regulares e IMAX nos últimos 15 anos no mesmo teatro eu vi esses demos, a diferença é noite e dia. O brilho é um grande problema em um teatro com uma tela que pode ser tão grande quanto 120 pés de largura, e IMAX afirma que seus novos projetores de laser são cerca de 60 por cento mais brilhante do que sua tecnologia de xenon-bulb de geração anterior.

Mas uma imagem mais brilhante é apenas metade da equação. Os fabricantes de TV gostam de se gabar dos índices obscuros de contraste alcançados pelos seus modelos mais recentes, mas mesmo a TV de tela plana mais cara que você pode comprar para o seu home theater nem sequer pode começar a comparar com o que a IMAX conseguiu alcançar com seu novo projetor sistema.

Asimmersive como ver Interstellar Christopher Nolan em IMAX foi no ano passado, vendo o filme remasterizado para estes novos projetores de laser é uma experiência totalmente diferente. Você vê detalhes que foram simplesmente lavados pela tecnologia de projetor de idade e, combinada com a nitidez e brilho da imagem, é provavelmente tão perto quanto você nunca vai começar a ver o que um astronauta vê enquanto eles estão em órbita. IMAX chegou mesmo a ir até a atualização da iluminação em seus teatros, redirecionando lâmpadas longe da tela para ajudar a maximizar e coax todos os últimos bits de contraste de seus novos projetores.

É lamentável que o recente aumento e queda de artificialmente adicionando profundidade a quase todos os blockbuster 2D único transformou o público fora de filmes em 3D. Porque IMAX tem feito 3D corretamente há décadas, e sua nova tecnologia de projetor a laser promete melhorar muito essa experiência também.

Quando um projetor é encarregado de exibir duas vezes mais imagens que foi projetado para um quadro diferente para o olho esquerdo e direito, há uma queda significativa no brilho geral. E a experiência de ir ao cinema simplesmente não é tão mágica quando a tela está escura e as cores são silenciadas. Durante a demonstração, IMAX me mostrou o trailer de How to Train Your Dragon 2, primeiro uma versão 2K em um teatro de tamanho normal com um projetor digital xenon padrão e, em seguida, uma versão remasterizada para seus novos projetores de laser em seu teatro maior.

A diferença no brilho era a razão por si só para dar uma segunda chance ao 3D, mas o que realmente se destacava dessa demonstração era a intensidade das cores - especificamente em uma cena escura em uma caverna cheia de dragões que respiravam fogo. Não só fui capaz de ver detalhes nas áreas escuras que eram quase invisíveis no outro teatro, mas de repente o fogo na boca dos dragões parecia mais real e intenso. Ele tinha mais camadas, mais nuances, e embora fosse apenas uma simulação CG, ele fez o fogo parecer muito mais crível. É quase impossível transmitir a diferença de palavras, você realmente precisa experimentá-lo com seus próprios olhos, mas é como limpar a camada de poeira que é acumulado na tela da velha TV CRT do seu avô e, de repente, vendo a imagem colorida brilhante escondido abaixo.

Ao longo dos anos, os cinemas usaram inúmeros truques para ajudar a preencher lugares, mas isso não é o que IMAX é. Não é um truque, mas uma maneira genuinamente melhor e mais atraente de assistir a filmes. E esta nova tecnologia, que é quase invisível para o público, simplesmente serve para tornar a experiência IMAX ainda mais fascinante.

Uma vez que todos os cinemas IMAX em todo o mundo foram atualizados com sua nova tecnologia de projeção a laser, a questão não será mais, "deveríamos ver este filme em IMAX?" A pergunta será, "por que você iria querer ver um filme se não houver uma versão IMAX disponível?"

Texto e imagem reproduzidos do site: nemicind.com

No coração do cinema


Publicado originalmente no site OCP Online, em 10/11/2014

No coração do cinema 

Operadores cinematográficos trabalham nos bastidores das salas e garantem a qualidade na transmissão dos filmes

Por Carolina Veiga
 
Escondidos nas cabines, atrás dos projetores de imagens e ladeados por cabos, filmes e aparelhos, estão os responsáveis por proporcionar os momentos emocionantes e mágicos que as produções cinematográficas nos trazem. A imagem centralizada e com foco, o som que nos insere na história e o ambiente climatizado. Tudo o que diz respeito às salas de cinema é coordenado pelos projetistas.

Embora não apareçam e muitas vezes passem despercebidos pelo público, são eles os responsáveis por colocar os filmes e garantir que tudo esteja de acordo. Como em Jaraguá do Sul o cinema ainda não é digital, são os projetistas cinematográficos que montam os filmes e trailer, deixando tudo preparado para a exibição. O gerente de projeção Clóvis Bertolino Leandro atua há 12 anos nos bastidores do cinema. É ele quem recebe as caixas com os longas, confere a programação, monta as películas e deixa as três salas prontas à espera dos espectadores. “A parte de montar o filme é toda manual. Ele vem em pedaços, geralmente de 15 minutos, e nós temos que colar cada parte para montar todo o filme”, explica. A trilha sonora dos longas já vem implantada na película do filme, portanto, Leandro só controla o volume do som.

Ele conta que iniciou no cinema como vigilante, assim que surgiu uma vaga na sala de projeção se candidatou e de lá não saiu mais. “Você controla tudo aqui dentro, mas é bem tranquilo. Estando o filme pronto, a lente e o som certos, não tem segredo”, afirma. O operador diz que de vez em quando desce da cabine de projeção para conferir se está tudo correto e, claro, aproveita para assistir o longa.

Atualmente, o cinema da cidade conta com três sessões e duas pessoas responsáveis por comandar as cabines em dois turnos. “Hoje estamos defasados se compararmos com outras tecnologias, mas logo o cinema estará um passo à frente e vai melhorar tudo. Tanto para o nosso trabalho, quanto para quem assiste”, enfatiza. Com a reforma do shopping, o cinema também ganhará um espaço novo. A partir de janeiro ele será fechado, porém, por um bom motivo. Durante três meses serão executados os serviços para implantar cinco novas salas, com tecnologia de ponta e 3D, e capacidade para 350 pessoas. “No próximo ano as coisas vão melhorar. Será tudo digital e os equipamentos que temos hoje aqui não serão utilizados”, afirma.

O ofício não é encarado como um trabalho exaustivo e o barulho das máquinas já nem incomoda mais o projetista, pois para ele o cinema é uma paixão. Tantos anos envolvido com a sétima arte trouxeram aprendizado ao gerente, que adora os filmes antigos e de histórias como ‘Coração Valente’. “A gente acaba assistindo e não tem como não gostar, não se envolver com todo o ambiente que o cinema proporciona”, descreve.

Texto e imagem reproduzidos do site: ocponline.com.br

Fantasia não entra na cabine de projeção

Hilário Daudt, na cabine de projeção do Cinema Brasil 
de São Leopoldo. (Foto Jornal Vale dos Sinos).

Fantasia não entra na cabine de projeção
Por Alexa Gonzalez

Sao Leopoldo – Ao longo de toda esta semana dezenas de pessoas sentaram-se nas cadeiras do Cine Brasil, para assistirem Cinema Paradiso, a inebriante história de um cineasta que iniciou sua carreira como operador cinematográfico numa cidade do interior da Itália.

No filme, o público vibra, dá gargalhadas, chora, sofre todo tipo de sensações. O público do lado de cá da tela acompanhando as reações das pessoas diante do cinema e principalmente a vida do operador. Esta brincadeira gostosa, que é ir ao cinema, é garantida por uma figura que raramente é lembrada: o operador cinematográfico da vida real.

Andando de um lado para o outro dentro da cabine de projeção, Hilário Daudt, trabalha há vinte e três anos no seu Cinema Paradiso particular. Ele, sem que ninguém sinta ou saiba, “perde” todas as noites a semana e quase todo o dia de domingo para acalentar os sonhos e emoções dos cinéfilos.

É ele que recebe todas as fitas, que por incrível que pareça,  vêm sempre subdivididas. Filmes com cerca de duas horas vem sempre em quatro latas. Cinema Paradiso, por exemplo, tem mais de três quilômetros de celulóide. A primeira exibição é mais trabalhosa. Para averiguara a idoneidade da película e detectar emendas mal feitas, ele passa um por um todos os quatro rolos.

Muitos detalhes

Não, a sessão nunca é interrompida. Para concretizar tal façanha, Hilário utiliza os dois projetores. Quando um rolo está prestes a terminar, ele fixa o olho na tela e a guarda o sinal: um rápido e inexpressivo ponto branco e aciona a alavanca do outro aparelho. No primeiro dia, faz isto três vezes, nos restantes apenas uma.

Por que tanto trabalho? Porque são poucos os filmes que cabem num só caarretel. Assim, enquanto as pessoas se divertem, ele fica na penumbra, rebobinando a segunda parte da história. A exemplo dos operadores do filme, Hilário movimenta manualmente a roladeira e volta a fita para a posição adequada.

O outro projetor mantém um ruído constante e característico. Enquanto o som for contínuo , o operador tem certeza que a película não vai arrebentar. Hilãrio sabe que aquele som peculiar indica que a Cruz de Malta dá um pqueno repuxo no filme a cada 24 quadros. O cinema é isto, milhares de quadros, muito parecidos com os negativos de fotografia, correndo a uma velocidade acelerada e enchendo a tela com movimento. A cada segundo o espectador assiste 24 quadros.

Olhos atento

Como o filme tem várias emendas, a fita pode de repente, sair do enquadramento. Nesta hora a platéia chia, assobia e as vezes até grita e o operador corre para corrigir a falha. Os estranhos saltos durante a projeção, por exemplo, não são culpa nem do operador nem do projetor. O filme já foi emendado e desemendado tantas vezes que já está meio adulterado. Agora, se a imagem começar a tremer, é sinal que a régua que segura a película bambeou e só o operador pode ajustá-la rapidamente.

Com os olhos e os ouvidos abertos, ele evita este e outros problemas. “É preciso ver o filme com atenção no primeiro dia, para ter a certeza que não há defeitos” explica. ” Depois temos que acompanhar todas as sessões para evitar qualquer   erro – as vezes a fita arrebenda no último dia.

Manejando as duas máquinas, projetores italianos cheios de botões, engrenagens, lentes e luzes ( a principal com 250 W) Hilário não tem muito tempo para filosofar sobre o cinema. A tanfasia apenas sai da cabine de projeção. A rotina do trabalho não deixa que ela entre.

Texto e imagem reproduzidos do site: debobagensaviagens.com

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Documentário “Os Projecionistas”







Fotos: ASCOM - FCP - PreviousNext

Publicado originalmente no site Agencia Pará, em 16/10/2017

Documentário “Os Projecionistas”
 
“Os Projecionistas” traz os relatos de três profissionais atuantes no circuito exibidor de cinemas local, tanto comercial quanto alternativo.

O Cine Líbero Luxardo, da Fundação Cultural do Pará (FCP), exibe pela primeira vez, por meio do Projeto Plateia, o documentário paraense “Os Projecionistas”, que investiga o trabalho de profissionais da área de projeção cinematográfica e os bastidores das salas de cinema de Belém...

Produzido em Belém, com roteiro e direção de Eveline Almeida, Kemuel Carvalheira e Lucas Alcântara, o documentário traz os relatos de três profissionais atuantes no circuito exibidor de cinemas local, tanto comercial quanto alternativo, que falam sobre os vários aspectos inerentes a profissão de projecionista cinematográfico, o amor à sétima arte e reflexões sobre o futuro desta profissão e do próprio cinema.

Segundo o diretor Kemuel Carvalheira, o documentário surgiu como resultado do trabalho de conclusão de curso de pós-graduação em produção audiovisual, que ele e seus colegas, Eveline Almeida e Lucas Alcântara fizeram, com o objetivo de entender como funciona o processo de projeção de um filme.

“Fomos a campo e visitamos cinemas do circuito alternativo e comercial de Belém. Foi interessante saber como é que funciona a dinâmica do trabalho do projecionista e da própria projeção, a partir de personagens que têm vivências profundas com a profissão tanto de expertise quanto de amor a sétima arte”, comenta o diretor.

Kemuel Carvalheira iniciou sua jornada no mercado audiovisual há aproximadamente quatro anos, com o primeiro contato na área, no curso de Linguagem Cinematográfica, realizado nas Oficinas Curro Velho da FCP. “O cinema é uma arte coletiva. A gente fica super feliz de ver o nosso documentário sendo exibido pela primeira vez em uma sala de cinema como a do Líbero Luxardo. É uma experiência gratificante e única que a gente vai poder dividir com o público”, comemora.

Serviço: Documentário “Os Projecionistas”

Trecho de artigo e imagens reproduzidos do site: agenciapara.com.br